DOCE MADRUGADA
Ó doce madrugada de Abril, tu que trouxeste a liberdade e a rebeldia de gente nobre e valente, que estava farta do massacre e das atrocidades constantes do fascismo, que amordaçava o Povo e o submetia a seu belo prazer ás agruras da ditadura.
Ditadura de direita cujo lema é tomar atitudes sempre contra o Povo, e nunca a favor dele, convêm-lhes, que o Povo se encontre débil e incapaz de resistir aos atropelos com que diariamente é confrontado.
As medidas drásticas, aplicadas selvaticamente no intuito de meter o Povo na miséria, roubando-lhes tudo inclusive a dignidade de serem gente, gente de bem e de justiça.
Tenho saudade de ti, bela madrugada, nunca mais te esquecerei, como muita gente te parece ter esquecido, mantenho-te presente no meu pensamento, sempre na ansiedade de te ver voltar, não importa o mês, mas o momento requer o teu regresso, rápido e enérgico, para pormos termos a estes facínoras que nos dilaceram a alma.
A democracia a que tu destes origem, madrugada, essa está a esvair-se em sangue e já os seus membros estão cheios de gangrena, prontos a serem dilacerados pelas lanças destes incompetentes e inúteis, que se entregam de mão beijada a quem lhe promete a salvaguarda dos seus interesses.
Volta depressa madrugada, pois a liberdade está posta em causa, o poder que outrora entregas te ao Povo, encontra-se nas mãos de gente ignóbil e desnaturada que engendra tudo para que o Povo “piegas”, tenha de pagar “custe o que custar”, as dividas que nunca contraiu. Pois essas dividas foram por eles contraídas desde que tu madrugada lhe deste o anseio de representar este Povo, mas cuja representação foi em vão, operando sim o favorecimento pessoal, o compadrio e as atitudes menos claras e agora lavam as mãos como Pilatos.
Batemos no fundo, o Povo sofre, escurece a democracia, pressupõe-se o fim da liberdade, por isso tens que voltar madrugada.
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