O Casamento das velhas


O Casamento das velhas       

Por altura do Carnaval era costume fazer o casamento das velhas.


Os jovens da aldeia dividiam-se em dois grupos que se colocavam em dois pontos altos afastados um do outro. Recorrendo a funis de metal, usados para encher as pipas de vinho, usavam-nos como megafone para gritar bem alto o nome das raparigas e de lhes escolher um par.
-“ Ó compadre, apareceu-me agora aqui um petisco”
- E que tal será ele compadre
- Estás desde já convidado compadre
- retrastas tu ou retrato eu compadre
- bem se não for fazer abuso, retrata tu que é a tua vez compadre
- Então cá vai compadre
- Ficará, ficará, a Maria Caçoila, conheces, ó compadre?
- Bem conheço essa bela criaturaaa.
- Com o zé da horta, conheces ó compadre?
- Bem conhece essa bela criatura
- Então compadre que  achas desse casamento compadre?
- um par perfeiro compadre e por mim estão casados e bem casados
- Então diz daí o dote que se lhe há-de dar compadre
- O dote é quando ela for apanhar a azeitona, passa ao pé da ribeira e os dosi fazem lá o arranjinho compadre.
- Estão casados e bem casados compadre.
E assim se porcedia no dia de Carnaval por volta das 22h00 até ás 00h00

Era costume fazer pares entre pessoas que tinham relações pouco amistosas, entre velhos viúvos e jovens solteiras... a intenção era a de criar os pares que eram considerados os mais absurdos e improváveis tentando provocar a irritação dos contemplados.


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