O CHEIRO A QUEIMADO DO MOTOR

O CHEIRO A QUEIMADO DO MOTOR

Raul Nunes


Ondas quebradas e vencidas
pelo vento e a maré desajeitada
e os ais das sereias tão gemidas
no pranto do luar na enxurrada
os peixes em delirio endiabrado
não sabem nem aguentam a maresia
socalcam as estrelas madrugada
a noite que era noite foi pra dia
e o barco arriscando com fervor
no eixo da tamanha tempestade
o cheiro a queimado do motor
e terra á vista anseia com saudade
mas o mar continua em festim
fazendo ondulá-lo sem destino
capitão com jaqueta de cetim
tenta a custo coordenar o desalinho
mas a tormenta é forte e tenebrosa
a madeira enfraquece das pancadas
a força das águas tão manhosas
que ruiram as tábuas desalinnhadas
a tripulação enfraquece com tristeza
incapazes de resistir ao novo mundo
o barco que deixou de ser beleza
abandona a superficie e vai ao fundo


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