TÃO CHEIOS DE DOIDEIRA

TÃO CHEIOS DE DOIDEIRA

Raul Nunes

Os melros desciam da latada
esvoaçando as penas pretas de cetim
cantando de alegria em algazarra
tão cheios de doideira e em chinfrim
porque a chuva já se foi em debandada
ficando o solinho pra brilhar
o tempo da peninha bem molhada
deu azo ao do calor para as secar
e o homem já urdia as sementeiras
deixando sempre á vista algum grão
que davam pra comer sem mais canseiras
e nisso o calor já dava a mão
e até os melrinhos pequeninos
se atarafavam no ninho com prazer
afiavam de doçura os seus biquinhos
para os pais lhe levarem de comer





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