O VENTO ZUNIU A NOITE INTEIRA
O VENTO ZUNIU A NOITE INTEIRA
Raul Nunes
Do escuro um clarão surgiu perdido
como raio metediço de cegueira
o vime que ficou quase despido
o vento zuniu a noite inteira
a chuva que batia no beiral
com a força da ancora ventania
a rua ficou em lodaçal
com a água apressada que gemia
o ceu escurecido que troava
as estrelas escondidas em segredo
a lua que oculta se queixava
o luar que não aparecia só por medo
gritavam os bichinhos com pavor
que fossem ficar sem liberdade
mas o vento que fustigava com ardor
continuando assim a teimosa
tempestade
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