A MANTA ENLUTADA

A MANTA ENLUTADA
Raul nunes

A noite gélida e ventanosa
lá fora tudo é bem friorento
 a lareira que crepita bem airosa
dando calor ao sonho de momento
a camisa de dormir bem provocante
transparente aveludado de cetim
o corpo da mulher e boa amante
que se oferece deste modo para mim
seus seios são montanhas encrespadas
despontam os seus bicos salientes
carregam seduções bem ordenadas
carecem de retoques muito quentes
seu ventre bem cuidado e repleto
simbiose do tempo e da brandura
que no silêncio me contempla bem de perto
desejando esses laivos de loucura
a camisa de dormir enfureceu-se
caiu pelo chão em desalinho
o lume que ardia enfureceu-se
dando azo ao calor com mui carinho
a manta que no chão estava enlutada
pensando ficar só a noite inteira
corou e ficou toda encarnada
com os corpos bem suados com a lareira


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