A PENA
Por raul nunes

E das mãos de um poeta
Deixei cair muita tinta
A pena como profeta
De apregoar a doutrina

Escreveu o seu sentir
Apreciando a sua calma
Nem todos sabem ouvir
O que lhe vai dentro da alma

A pena bem petulante
Poe a tinta com bravura
De uma forma delirante
Outras vezes com amargura

O poeta diz-lhe tudo
Ela faz o que ele manda
Ele por vezes fica mudo
Outras dá-lhe sarabanda

E ela vai escrevendo
Ás vezes até errando
Mas o poeta mexendo
Os erros vão apagando

TRIGO ALOIRADO
Por raul nunes

O vento que sopra e a vida ampara
O chão que galopa, na velhinha estrada
Os ais de contente, pela enseada
Cabelos ao vento, na grande jornada
Pureza da alma, com a liberdade
A noite bem calma, viva a mocidade
Os lírios curvados, pela ventania
Os molhos atados, com a loira espiga
Camponês valente, clama pró ceu
Feliz e contente, a seara rendeu
O trigo aloirado, grado e vistoso
Sempre bem regado, é maravilhoso
Depois de colhido, deita-se na eira
E ao ser batido, vai encher a leira
Depois de sequinho, no lindo sequeiro
Sempre bem limpinho, vai para o moleiro
Onde é moído, cheio de paixão
Depois de cozinho, dá o lindo pão
 
 
COM ELES NÃO VOU Á CAÇA
Por raul nunes

Quero ver-me no futuro
E esquecer o presente
Porque isto está maduro
De maduro está doente

Doente quase pra morte
Pronto a fazer o enterro
Deus deu-nos esta má sorte
De termos este governo

Governo da traquinice
Que nada sabem fazer
Só dizem é intrujice
Para o Povo não saber

Subtraem-nos quase tudo
Como a ave de rapina
Com as luvas de veludo
Não sentindo qualquer estima

Tiram-nos tudo e o pão
Com promessas de igualdade
Roubam mais que um ladrão
Sem terem dignidade

Quero sentir que estou vivo
Não quero cães desta raça
Desta gente eu não preciso
Com eles não vou á caça

Minha garganta não cala
É tão grande esta revolta
Esta gente que só falha
Nunca se quer que ande á solta
 


QUEREMOS A LIBERDADE
Por raul nunes

Ó tágides da frustração 
Que me embaraçam o peito
Não queram ter a razão
Falando assim desse jeito

A desventura arrepia
No caminho da vaidade
Vem a noite muito fria
Em dias de tempestade

E vós que estás nessa agua
Do rio Tejo crescendo
Falem com Deus sem a mágoa
De quem quase está morrendo

Cantem até que voz vos doa
Para toda a gente do Povo
Portugal não é só Lisboa
Queremos um poder novo

Não queiram este momento
Que arrepia de maldade
Gritem alto como o vento
Queremos a liberdade


A VERDADE TRAZ AMOR
Por raul nunes

Quero acreditar em ti
Na verdade do teu olhar
Pois eu nunca te menti
Nas lições do verbo amar

Quero ouvir da tua boca
As palavras de promessa
Não gosto de palavra oca
No meio de uma conversa

Quero a verdade bem clara
Dizendo aquilo que sentes
Sentir uma imagem rara
E saber que tu não mentes

Gosto da verdade pura
De pessoa para pessoa
Aquele que mentira atura
Não pode ser gente boa

Sempre fui um realista
Nem que a verdade me doa
Não quero ser pessimista
Mas mentir não é coisa boa

Com a verdade me confesso
A luz do meu bom pastor
Não mintam e eu agradeço
A verdade traz amor
 

Ó DIVA DO MEU QUERER
Por raul nunes

O teu rosto me fascina
Teus olhos sabem a mar
Olham-me com tanta estima
Que me deixam a pensar
Os teus lábios sorridentes
Tão simples, mas tão gostosos
Produzem palavras quentes
Em tons docinhos, gulosos
Teus seios são uma montanha
Ambição de todo alpinista
São de beleza tamanha
Produzem cegueira á vista
Teu ventre é tão sensível
Muito nobre e carinhoso
Sempre mais apetecível
Tão romântico e charmoso
Ó diva do meu querer
Brotas beleza aos molhos
Estou aqui só pra te ver
Pois regalas os meus olhos
 

 
AI JESUS COISA TÃO BOA
Por raul nunes

Hoje dormi na encosta
De um sonho por desvendar
Quando acordei tinha posta
A mesa com o verbo amar
Que palavra tão pequena
Mas de tão grande ovação
De tão simples e tão amena
Faz pular meu coração
Sinto-me bem nesta vida
Com o meu sangue a ferver
Estou maduro como a espiga
Sinto o meu corpo a tremer
Do verso se faz poema
Do poema se faz luz
Ao reflectir sobre o tema
Só este amor me seduz
Amar assim é pecado
Que Deus jamais o perdoa
Mas adoro ser amado
Ai jesus coisa tão boa
 
 
ENTRISTECE O CORAÇÃO
Por raul nunes

Este fogo tão ardente
Que sinto na minha alma
Vai ardendo lentamente
Expressando a sua calma

Corrói-me até ás entranhas
Pondo-me fora de mim
São muitas coisas estranhas
Que em poucos dias vivi

Sinto-me desajeitado
Parecendo um saltimbanco
Relembrando o passado
Do negro passou a branco

O fumo gera tristeza
Pois advém do braseiro
Mas tem a sua beleza
Quando te aquece primeiro

Mas o calor desnaturado
Oriundo da paixão
Quando se não é amado
Entristece o coração
 
 
DOEU
Por raul nunes

A minha alma mergulha no silêncio
Amargurada pelo destino e desespero
Olho o ceu e vejo a sua negritude
E nesse negro revejo o meu sofrer
Quero sair deste sofrimento
Que me atormenta e me desfaz em pedaços
Mas nos recônditos do meu ser
Tudo é escuro e negro sem pingo de claridade
Ó tormentas bravas e desnorteantes
Arredem para eu puder olhar o dia
Quero sentir o cheiro e a maresia
Sentir o olhar das estrelas e o seu fulgor
Retirar dentro do peito enfraquecido
O pensamento de um homem sonhador
Apelo ao bom Senhor na manhã fria
Que a noite rejuvenesça lá no ceu
Mas o corpo dormente amiúde
Se transforme no amor que me doeu
 
 
 
DOCEMENTE
Por raul nunes

Este amor 
Que me atropela 
E me sufoca
Do canto da tua boca
Me apela
Beija-me com intensidade
Loucamente
Arrebata-me a alma
Docemente
E numa intensa calma
Mas com ansiedade
Os lábios se tocam 
E quase nos sufocam
Com muito calor
Dizendo baixinho
Com muito carinho
És o meu amor
 
 
 
AS TUAS PALAVRAS
Por raul nunes

Sinto um tremedoiro
Dos ecos da tua voz
Ricas palavras de oiro
Que nunca me sinto a sós
Têm valor e mestria
Com bondade e esperança
São ditas com alegria
Sempre cheias de bonança
São tão puras como o vento
Tão bonitas de se ouvir
Não há ais nem um lamento
São ditas sempre a sorrir
A tua voz é docinha
Embala o meu coração
Alegres tristeza minha
Nos momentos de paixão
Ao ouvir-te me deleito
Escuto-te com atenção
Porque as sinto no peito
Com a maior emoção
Ao ouvir-te assim falar
Quase que não respiro
Admirar-te o olhar
É tão grande este suspiro
 
 
TEUS OLHOS NEGROS
Por raul nunes

Olhei os teus olhos negros
Que pediam compaixão
Arrebatar os teus medos
Será a minha ambição
São a luz da tua alma
Cativam minha altivez
Mesmo sentindo-te calma
Eles mostram avidez
Eles auguram bondade
Amor e muito carinho
Sentindo muita saudade
Com destreza vão sorrindo
Revelam tudo em ti
A amargura e esperança
A tua boca sorri
Sempre que o amor avança
 

 
É TÃO LINDO AMAR
Por raul nunes

Largos olhares 
brotando desejo
Doces lembrares
Na senda de um beijo
Doce, molhado 
O corpo adormece
Sem ser embalado
A boca humedece
Os lábios procuram
Os outros sem fim
Tão bem se torturam
Com sabor a jasmim
Deleitam-se de amor
Sem qualquer medo
Ávidos e com fulgor
Dizem sem segredo
Respiram baixinho
Sem nunca parar
É amor e carinho
É tão lindo amar
 
 
 
É GRANDE O CHINFRIM
Por raul nunes

Era um sonho triste
A solidão apertava
Com dedo em riste
Ficou acordada
Relembrou o amor
Mantive a esperança
E ao sentir a dor
Gritou por mudança
Amar é mistério
Torna a vida calma
Mas quando é a sério
Faz furor na alma
Todos querem amar
Mesmo em segredo
E ao ceu bradar 
Sem ter qualquer medo
Amor é assim
Incendeia a mente
É grande o chinfrim
Quando ele se sente
 
 
AMIGO É ASSIM
Por raul nunes

Leva-me contigo,
No teu regaço
Pois sou teu amigo 
Dá cá um abraço
Criticas á parte
São sempre de ouvir
Serão obra de arte
Ás vezes dá pra rir
Amigo é pureza
Amigo é irmão
Não haverá tristeza
Apenas razão
Amigo diz sim
Amigo diz não
Será sempre assim
Na boa união
 
 
 
ISTO É O AMOR
Por raul nunes

O amor sente-se de forma ardente
Murmúrios de um vulcão incandescente
Que nos poe o corpo bem dormente
E nos fustiga a alma docemente
Desdita o bem querer e o bem sentir
Tornando-se num sentimento desmedido
Cativa a esperança que há-de vir
Assobiando baixinho ao teu ouvido
Teu corpo estremece de paixão
Respiras profundo e intermitente
O sentir da angustia no teu coração
Quando ele não se mostra sorridente
Na alegria esqueces o passado
Na tristeza revives o presente
Alegre bendizes teu amado
Triste és sizudo e bem doente
Mas o amor recalca na alegria
Ele se manifestará a todo o tempo
Chegando tornará a noite dia
Apagando qualquer raiva ou lamento
 
 


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