O DEBOCHE DE RICARDINA


Quente como o sol em pleno solstício para deleitar as vistas largas de quem a via, as suas curvas, o seu corpo bem bronzeado, com o mamilos a saírem do seu soutien minúsculo de cor de jasmim, que toldava a vista até a um padre rezador da homilia em todos os locais sagrados , fio dental enfiado na gaveta,  cujas calças de licra deixavam transparecer essa proeza que as mulheres modernas têm por hábito, o que só lhe dá realço e sensualidade, tornando o seu bumbum desejável  até ao tio Manel do azeite, homem de sabedoria e actividade, mas que os seus oitenta anos de uso e de boa vivência o tornaram desgastado, pelo tempo de utilidade, mas que nessas coisas da Ricardina afirmava que ainda voltaria aos bons velhos tempos, segundo ele era como uma  delicia recheada de chocolate bem quentinho.
As suas pernas eram  bem torneadas  a adivinharem uma longa longevidade e criando expectativas de um bom desempenho sexual.
A sua boca com lábios carnudos,  apetitosos e sensuais,  que desejavam a todo o momento a incrustação de outros para realmente poderem provar o seu real valor e Ricardina sabia disso e insinuava isso com actividade, quando em plena rua mordiscava morangos docemente como que a deglutinar o seu apetite pelo que lhe iria na alma.
Mulher de peso, ancas salientes, seios voluptuosos que dava vontade de amaciar e deleitar, loira olhos castanhos claros que semeavam a fúria da sua aglutinação que advinha do interior daquele monumento com tudo no sitio sem que fosse preciso tirar nem por nada, estava completa. 
Era uma moçoila esta Ricardina, brasileira de nascimento, mas de origem portuguesa, pois era a segunda filha do José Martinho e da Maria de Fátima que nos anos sessenta haviam emigrado para terras de Vera Cruz a fim de ter uma vida melhor e aí constituíram a família de quatro filhos que foram nascendo um após outro, pois a Maria de Fátima sempre foi uma mulher muito calorosa em todos os aspectos, pois diziam as más línguas que era boa para aquilo, ainda rapariga trazendo o desejo pleno de ser apreciada pelo sexo oposto.
No Brasil eram conhecidos como a família Pinto, pois o José, de seu nome próprio  José Martinho Pinto, tendo a Maria de Fátima, bem como os filhos arrebatado também o Pinto como sobrenome , que havia nascido na zona da Beira Alta, mais propriamente  na Aldeia da Couve Leve, sendo os seus habitantes conhecidos por couvenses nome que lhe adveio das grandes hortas que todos eles plantavam a fim de fazerem a sopa que nessa altura era senão o mais forte, mas pelo menos o mais eficaz para escaparem á fome.
A vida  nessa altura era dura, havia poucos recursos económicos e também poucos locais de abastecimento já que Portugal se encontrava arredado do resto do mundo e recatado no seu canto, sem que fossem tomadas medidas para a ele pertencermos, vivíamos isolados e também sem homens com os horizontes alargados para ai pertencermos, á grande civilização, ao desenvolvimento.

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