PENSADOR POETA

A pena pesada, enchia-lhe a mão
Com tinta bem preta, lembrando carvão
Com o seu excesso o mata borrão
Limpava a folha branca com exactidão.

Limpava-lhe a tinta, não o sentimento
Despertando-o  a cada momento
Descrevendo o acto com contentamento
Redigindo a causa com o pensamento

Pensamento cheio do seu ser crescente
Lembrando a água em cada nascente
Mas o sol que nasce lá no oriente
Escreve mais versos pra calar a mente

Mente tão cheia de amor e paixão
Faz lembrar a larva de um vulcão
Transmite essa enchente ao seu coração
Apercebendo-se da pura ilusão

Ilusão brejeira com sentido forte
O acto acontece sempre mais a norte
E com desespero contraria a morte
Grato pela vida que lhe calhou em sorte

Vida de artista, vivendo o seu dia
Como o prior na sua sacristia
Celebrando prós crentes a sua homilia
Artista, pensador poeta que ele tanto queria.

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